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09/08/2016
Quanto cabe em um minuto de internet?

Autor de “Admirável Mundo Novo”, o inglês Aldous Huxley tinha uma visão pessimista do mundo. Ele escrevia distopias (que são as utopias ao contrário, as que dão errado). Ele acreditava que a obtusidade humana era inesgotável e que, no futuro não muito distante (ele viveu entre 1894 e 1963), a população se tornaria passiva, subjugada sob uma avalanche de entretenimento banal que ofuscaria a realidade. Segundo ele, não haveria, por exemplo, a necessidade de se proibir livros porque ninguém mais iria querer lê-los. Ou seja, nos transformaríamos em bovinos passivos diante de uma manjedoura de prazeres.

 

O comentário me veio à mente ao ler os dados divulgados pela empresa de consultoria digital americana Excelacom, que dão uma amostragem impressionante do mundo de “distrações” a que se referia Huxley. Segundo a empresa, a cada minuto:

 

  • 150 milhões de e-mails são enviados;
  • 20,8 milhões de mensagens são enviadas pelo whatsapp;
  • 2,78 milhões de vídeos são assistidos no Youtube;
  • 2,4 milhões de pesquisas são feitas no Google;
  • 1,04 milhão de vine loops são postados;
  • 972.222 swipes são trocados no Tinder;
  • 701.389 logins são feitos no facebook;
  • 507.760 fotos são compartilhadas no Snapchat;
  • 347.222 tuítes são tuitados;
  • 203.596 dólares são gastos na Amazon;
  • 69.444 horas de vídeo são assistidas no Netflix;
  • 51.000 downloads são feitos na Applestore;
  • 38.052 horas de música são ouvidas no Spotfy;
  • 1.389 corridas são agendadas no Uber;
  • 120 novos perfis são abertos no Linkedin.

 

Tudo isso em apenas 60 segundos. Um tsunami avassalador de textos, sons, imagens, mensagens, sugestões, padrões... ideologias... ao qual todos, sem exceção, em maior ou menor grau, nos rendemos de forma subjugada, mas feliz. É irresistível, é viciante, torna-se inevitável e vital. Escravizante.

 

No livro “Sem Logo”, de Naomi Klein, publicado lá no início dos anos 2000, no qual a autora analisa como as grandes corporações perderam suas “almas” e seus “propósitos” enquanto brigavam pela sobrevivência no mercado, ela se lembra, lá pelas tantas, de quando era pequenina e da vergonha que sentia ao confrontar seu universo real com as imagens idealizadas que o mundo da mídia jogava sobre ela. “Talvez essa condição fosse engendrada pela televisão, talvez por uma viagem demasiado precoce à Disneylândia, talvez fossem os shoppings, mas... o mundo da realidade parecia comparativamente muito desbotado”.

 

Será que a previsão de Huxley está se concretizando? Será que o sentimento de Naomi Klein está contagiando a todos?

 

Em tempo: a citação de Huxley peguei em um vídeo que pintou na timeline do meu facebook esta semana. Os dados da Excelacom chegaram por meio de um post do Linkedin. A citação de Klein, porém, busquei em minha biblioteca mesmo. Nem tudo está perdido, por enquanto.

 

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