Ahmed Hamdan faz uma reflexão sobre a peça da agência New360, que ganhou o Leão de Bronze para Minas Gerais
Como todos devem saber, pela primeira vez um anúncio produzido e criado em Minas Gerais recebeu um “Leão”, no caso de bronze, no Festival Internacional de Criatividade de Cannes 2011.
Acredito que este prêmio tão falado e reconhecido no mercado mundial de criatividade, este fato inédito para a propaganda do nosso estado pode nos levar, ao menos, a refletir sobre o assunto.
Não gostaria de ser repetitivo e falar sobre assuntos como anúncios fantasmas ou o que um prêmio representa para o cliente.
Quero focar na questão da criatividade e tentar descobrir o que este anúncio tem de especial para um jurado que, a priori, é expert no assunto e o que o diferencia da grande leva de mensagens que é lançada aos consumidores em ações incessantes e similares, que inclusive nos estimulam a passar a página, ir ao banheiro durante o break ou simplesmente ignorar um anúncio.
Vamos dividi-lo em duas partes. A primeira, texto: “Citroen Jumper. Ele se paga.”
E a segunda, imagem: o utilitário em fundo infinito centralizado no anúncio, carregando um “splash” de preço.
Quanta simplicidade! Parece o resumo do resumo. Quase chega ao nada.
A distância deste anúncio de criatividade reconhecida e premiada para um anúncio de criatividade zero é “quase” um nada.
Imagina uma imagem de carro e um splash de preço em uma campanha?
Agora imagine uma televisão, uma roupa ou outro produto qualquer com a mesma disposição e acompanhado de seu preço.
Não é mais ou menos isso que somos insistentemente convidados a fazer em nossas tarefas diárias com o argumento (que nos é imposto) de ser vendedor?
Produto e preço é o que nossos clientes chamam, até hoje, de vendedor? De comercial?
Há alguns dias nos deparamos com o reconhecimento criativo deste anúncio de apenas um movimento de pensamento: alguém teve a ideia de arrastar este splash para dentro do carro, evocando como forma de pagamento a sua função mais básica que é a de levar e trazer produtos. E isso para ilustrar uma frase de argumentação também extremamente simples e suscinta: “Ele se paga”.
Um único movimento, um raciocínio, uma ideia simples que se destaca das outras por conseguir ser diferente e forte.
Senhores empresários, não é só o carro que se paga. Este anúncio se paga!
Esta ideia não vem do nada. Esta ideia não é uma cópia de algo que foi visto e revisto. Esta ideia não é a grama do vizinho que parece mais verde e você quer fazer igual ou parecido.
Esta ideia é resultado do esforço e do talento de profissionais que há anos tentam convencê-los de que, para se ter um grande ideia, tem que estudar, pesquisar, conhecer o mercado, lapidar o próprio talento, ou seja, ser um profissional. E isso exige tempo e investimento, inclusive financeiro. Portanto, procure um bom profissional ou valorize o que está dia-a-dia pensando em boas ideias para o seu produto.
Nós nos pagamos!
Ahmed Calais Hamdan

Como o assunto é simplicidade, muito obrigado. Mesmo.
Lendo o título e vendo a foto, cheguei a pensar que se tratava do criativo premiado. Ah, não é o caso. Ok, vamos aproveitar este momento tão importante para o mercado mineiro, e defender nossos ideais e nossas ideias. Mas vale a pena, também, citar os premiados e deixar claro a que se propõe o texto.